segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Insónia

Já me tinha deitado, à umas duas horas, mas o sono não chegava, queria dormir mas não conseguia, resolvi vestir-me e sair de casa, fui dar uma volta. Desci pela sé, atravessei a baixa e, depois, subi pela avenida até ao penedo, durante todo este caminho fui imaginando, em cada degrau da sé, recanto da  baixa, ou banco da sereia e do penedo, todas as histórias de amores e desamores que ali já haveriam acontecido e, à medida que isso ia acontecendo, vinham-me à memória os bons momentos que, eu, também já havia passado nesses lugares. Não só os amores e desamores nos deixam marcados, mas, sem duvida, esses tocaram-me de forma mais forte naquela noite, estava carente de um conforto, sentia-me insignificante perante a cidade mas era ela a minha única companheira, a minha confidente e era, também, ela que me fazia recordar, que me fazia, rir, suar, chorar, era ela o único elemento que me ligava a todas as outras histórias. Eu estava só com ela naquela noite mas ela havia estado em todos os outros encontros, em todos os outros desencontros, e já foi, ela, peça fundamental desses mesmos encontros e desencontros... Vi, com ela, o nascer do sol, do penedo, foi a primeira vez que o fiz e, até hoje, a ultima, ali, naquele momento, senti que não era aquele o sítio onde devia estar, pelo menos não sozinho, aquele era um lugar em que as histórias são escritas por mais do que um interveniente, sai de lá com uma certeza, vou voltar, não sei quando, mas de algo tenho a certeza tu vais comigo, não sei quem és mas vais comigo ou, vou eu contigo...

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